Semana da Meteorologia

Cimaer: como a meteorologia contribui para aumentar a segurança dos voos no Brasil

Comandante fala sobre a missão do Centro Integrado de Meteorologia Aeronáutica na Semana da Meteorologia

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O comandante do Cimaer (Centro Integrado de Meteorologia Aeronáutica), Tenente-Coronel José Eduardo Gonçalves Platenik, é o entrevistado da terceira reportagem da série Semana da Meteorologia IACIT. Ele falou sobre o trabalho de vigilância e previsão meteorológica realizado pelo Cimaer e sobre a importância da meteorologia aeronáutica para eficiência e segurança dos voos.

Criado em 2019 pelo Decea (Departamento de Controle do Espaço Aéreo), o Cimaer é responsável pelos serviço meteorológico aeronáutico de previsão e vigilância em todo o território nacional, incluindo a faixa marítima. Sua missão é contribuir para a segurança, economia e eficiência do tráfego aéreo.

Especialista em Meteorologia da Força Aérea Brasileira (FAB), Coronel Platenik comprova o sucesso da missão apontando os indicadores de segurança de voos medidos por auditorias internacionais no Brasil. 

“Nossos índices de segurança ultrapassam os 90%, e são reflexo de investimentos, de capacitação e de um conjunto de sistemas mantidos pelo Decea. E, neste contexto, podemos afirmar que a meteorologia é um contribuinte de peso para esse sucesso”, disse o Comandante, que está à frente do Cimaer desde fevereiro de 2021.

A Semana da Meteorologia IACIT tem como objetivo difundir a importância da meteorologia e como os avanços tecnológicos nesta área impactam as atividades humanas e ajudam a proteger vidas. A matéria primeira apresentou dados da OMM (Organização Meteorológica Mundial) e a evolução histórica desta ciência tão importante para proteger vidas; e a segunda reportagem abordou os avanços e desafios do Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais) no monitoramento de desastres naturais. 


Leia abaixo a entrevista concedida pelo Coronel Platenik.


 

IACIT: Comandante, conte-nos um pouco sobre a criação do Cimaer, sua missão e área de atuação.
Coronel Platenik:
No que tange aos serviços de meteorologia aeronáutica de previsão e vigilância, nos 22 milhões de quilômetros quadrados do território brasileiro, que é a área de responsabilidade do Decea, eles são especificamente realizados pelo Cimaer. Foi criado pelo Comando da Aeronáutica para otimizar recursos humanos e meios, uma tendência dentro da Força Aérea, e tornar mais eficientes os serviços meteorológicos. O Cimaer integrou os vários Centros Meteorológicos de Área Classe 1, o Centro Nacional de Meteorologia Aeronáutica e o Centro Meteorológico de Vigilância, eliminando redundâncias que estavam espalhadas pelo Brasil. Essa centralização foi possível com aporte de tecnologia e capacitação.

 

IACIT: O senhor pode explicar o que são os serviços de vigilância e previsão?
Coronel Platenik: Temos o serviço de mensagens de previsão para aeródromos. É um serviço muito importante porque o piloto, além das condições reinantes atuais no aeroporto destino, tem que saber o que estará ocorrendo quando da sua chegada, após duas ou três horas de voo.
Já a vigilância meteorológica acompanha as evoluções dinâmicas da atmosfera. Nossos profissionais capacitados estão a todo momento observando essas evoluções, para quando surgir uma situação adversa perigosa informar imediatamente o piloto. Essa comunicação é feita por uma radiofrequência chamada Volmet [frequência de comunicação exclusiva para informações meteorológicas com pilotos], ou por mensagem. Tudo isso é integrado ao Controle de Tráfego Aéreo.
As nossas previsões e as nossas cartas são públicas, toda a sociedade pode consumir, não apenas os profissionais da aeronáutica. Temos também banco de dados que podem ser consultados para pesquisas e artigos científicos. É uma contribuição com a sociedade no geral. Costumamos brincar dizendo que, sabendo interpretar, a mensagem pode ser utilizada até para planejar um churrasco no final de semana.

 

IACIT: Quais são os grandes desafios diários enfrentados pelas equipes do Cimaer?
Coronel Platenik: Podemos dizer que diariamente temos dois trabalhos distintos, aqueles que são de rotina, como produzir e publicar cartas de vento, mensagens e previsões, por exemplo, e outro trabalho que se constitui num desafio diário, em função da meteorologia do momento. A dinâmica da atmosfera requer uma ação imediata. Por exemplo, se uma região do país está sendo mais atingida por fenômenos atmosféricos adversos, como uma entrada de uma frente fria provocando trovoadas no Sul do país, então temos uma demanda muito grande por informações para pilotos, briefings, também para instituições e diversas autoridades que se utilizam de nossas previsões diárias. Temos que estar com nossas equipes de previsores e graduados preparadas para atender qualquer demanda, em qualquer lugar do país. Isso é um grande desafio, principalmente considerando um país com dimensões continentais e climatologia diversa como o Brasil. E pode ter certeza que o tratamento que o previsor dá para a atmosfera na parte equatorial do norte do país é bem diferente do tratamento dado à subtropical no sul. E o meteorologista tem que ter expertise para usar a técnica adequada para fazer a previsão em qualquer região do país. 

 

IACIT: Como avalia os avanços tecnológicos e a evolução desta ciência nas últimas décadas?
Coronel Platenik: Antigamente, quando a gente não tinha um aporte computacional preparado para lidar com as equações da dinâmica da atmosfera, nossa previsão era baseada muito em modelo conceitual. A gente tinha dados, sabia como era a evolução física da dinâmica da atmosfera, mas a gente não tinha poder computacional para processar todas as equações. As previsões eram feitas muito pela sensibilidade e modelo conceitual de cada profissional.
A evolução da tecnologia proporcionou a solução dessas equações dinâmicas da atmosfera e hoje temos sistemas que já podem dar soluções bastante precisas. Claro que a análise e a palavra final será sempre do meteorologista. Com esse avanço conseguimos fazer uma previsão muito mais assertiva para auxiliar nas tomadas de decisão. Para as companhias aéreas, além da questão da segurança dos voos, a meteorologia contribui também com a questão da economia de combustível e redução de emissão de gases poluentes, uma grande preocupação também da ICAO (sigla em inglês da Organização Internacional da Aviação Civil).

 

IACIT: Como o Cimaer coleta as informações para os serviços de previsão e vigilância?
Coronel Platenik: Temos redes de estações meteorológicas de superfície, estações de altitude, radares meteorológicos espalhados pelo Brasil, entre outros. O Cimaer consome todos esses dados, mas para isso ocorrer a gente tem que ter uma tecnologia apropriada para integrar todos os dados e permitir que seja feita a análise. Hoje, uma assinatura de previsão do profissional de meteorologia é fruto de uma análise não só de dados, mas uma análise também computacional de modelagem numérica de sistemas únicos de meteorologia. A gente se utiliza de todas as ferramentas para assinar essa previsão e publicá-las em nossos canais de comunicação.

 

IACIT: A Aeronáutica tem acompanhado esses avanços tecnológicos da Meteorologia?
Coronel Platenik: A importância da meteorologia na aviação é tão grande que o Decea está sempre investindo, buscando as melhores soluções, porque a gente sabe que assim vamos dar a resposta mais assertiva, contribuindo sobremaneira com a segurança da navegação aérea. A própria IACIT tem sido uma parceira da Meteorologia Aeronáutica no desenvolvimento de soluções. 

 

IACIT: Como o senhor avalia os esforços para avanços da meteorologia no Brasil?
Coronel Platenik: Soluções para sistemas de meteorologia são oriundas da pesquisa, principalmente em função da dinâmica da atmosfera de cada região, de cada país. Temos que envidar esforços para desenvolvermos nossas soluções. Podemos avançar e temos condições de avançar bastante. O Cimaer é um entre muitos outros centros de meteorologia e previsão do tempo, o Brasil tem o Cptec (Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos), Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais), todos trabalhando nesse sentido. A gente faz um grande esforço para eliminar as nossas redundâncias e conversarmos mais em termos de sistemas de soluções, de capacitação e de otimização de investimentos.

 

 

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